UP terá Centro de Tecnologia Celular
Um projeto inovador, idealizado por professores de Odontologia da UP, está prestes a ser concretizado. Incubada na UP desde 2008, a empresa Curitiba Biotech já possui a autorização da Secretaria de Saúde de Curitiba para a construção, dentro da Universidade, de um Centro de Tecnologia Celular que irá captar e processar tecidos dentários.
A professora e cirurgiã-dentista Moira Pedroso Leão, diretora administrativa da empresa e integrante da Comissão de Assessoramento Técnico do Conselho Federal de Odontologia (CFO) sobre Células-Tronco e Produtos Derivados de Células e Tecidos, explica que a ideia inicial é armazenar as células-tronco encontradas nos tecidos dentários. A polpa dentária e o ligamento periodontal de dentes extraídos foram, até hoje, descartados como lixo orgânico e a iniciativa prevê o armazenamento e expansão dessas células para posterior utilização em pesquisas básicas, pré-clínicas e clínicas na regeneração de órgãos e tecidos lesados.
“O projeto não é inovador só na Odontologia, mas, para todas as áreas da Medicina Regenerativa. Essas células, classificadas como células-tronco mesenquimais, são especiais porque têm a capacidade de se replicarem rapidamente e se diferenciarem em outras células, como as do tecido ósseo, cartilaginoso ou cardíaco”, explica a professora. Ela explica, ainda, que as células-tronco podem ser obtidas facilmente a partir dos tecidos dentários de dentes que serão extraídos por razões ortodônticas ou dos dentes de leite, por ocasião da troca. “As células-tronco não estão no esmalte ou na dentina, que são os tecidos duros, mas estão nos tecidos moles, no interior e ao redor dos dentes. E estão presentes nos dentes de leite em maior quantidade e atividade quando ele está no momento da esfoliação, ou seja, quando está caindo”.
Estudos com animais demonstram que essas células podem ser transplantadas de um indivíduo para outro sem a necessidade do uso de imunossupressores, que são medicamentos que reduzem as reações imunológicas do organismo contra um corpo estranho. O que pode acontecer com o progresso da tecnologia no uso das células-tronco dentárias é a possibilidade da implantação de técnicas regeneradoras. “Talvez, em breve, poderemos também melhorar os resultados ou até mesmo deixar de usar os enxertos tradicionais”, avalia a professora.
Pesquisas e resultados
Para que o uso terapêutico das células-tronco, produtos e derivados celulares em humanos seja seguro é necessário rever todas as práticas hoje consagradas em pesquisa básica e pré-clínica (com animais). O detalhamento dos protocolos é fundamental para que a tecnologia seja transferida para o dia a dia dos profissionais e dos pacientes com toda a segurança. Outro aspecto importante é a necessidade de se discutir com os profissionais e a população as questões éticas e legais. “Para isso, o CFO pretende disponibilizar um portal que deve servir de canal de comunicação para que a vontade popular e a informação técnica fluam de maneira rápida, clara e direta”, acrescenta Moira.
É importante salientar que, embora os resultados pareçam muito animadores, as terapias utilizando células-tronco e seus subprodutos ainda são muito recentes e que há alguns anos de estudos pela frente, para que se testem as infinitas modalidades terapêuticas. Por isso, é imprescindível a construção de um local apropriado para o armazenamento e expansão destas células. “A Universidade Positivo conta hoje com profissionais altamente qualificados e, com a instalação do Centro de Tecnologia Celular, teremos a infraestrutura necessária para a consagração da UP como geradora de pesquisa, desenvolvimento e inovação no País, também na área da saúde”.
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Fonte: SOARES, A. P. Rev Dent Press OrtodonOrtop Facial, v.12, 2007. |